6 de janeiro - 2021

Desigualdade: Como minimizar os efeitos no desenvolvimento infantil?

A desigualdade é um mal que afeta muitas áreas das sociedades, inclusive a educação. Quando se trata de Educação Infantil, isso se torna ainda mais preocupante. O desenvolvimento infantil precisa de muitos fatores alinhados para que ocorra de forma satisfatória. Por isso, é importante que a escola se atente às desigualdades em jogo no processo de ensino-aprendizagem. 

Dessa forma, as realidades vividas por cada um dos alunos variam muito, ou seja, cada criança tem uma história diferente. Isso desde a sua concepção, que pode afetar seu desenvolvimento por toda a vida. Isso vai desde a ausência ou presença de um pré-natal adequado durante a gravidez, até o acesso à alimentação saudável nas fases escolares. As diferenças sociais tornam a vida acadêmica do aluno mais desafiadora, pois estas dificuldades influenciam principalmente na saúde da criança.

Isso porque é dos 0 aos seis anos de idade que a criança mais se desenvolve. Nesta fase, estruturas e circuitos cerebrais são formados e a criança começa a criar habilidades que serão fundamentais para o processo educacional futuramente. Neste artigo, vamos entender quais são essas dificuldades e como podemos ajudar a minimizá-las em sala de aula!

Quais são os principais problemas gerados pela desigualdade no desenvolvimento infantil?

Como já falamos, a desigualdade no desenvolvimento infantil já começa na gravidez da mãe. Muitas mães não têm acesso à alimentação, cuidados e exames adequados durante o período gestacional. Isso afeta muito no desenvolvimento do bebê antes mesmo do seu nascimento, podendo gerar:

  • Baixo peso ao nascer
  • Prematuridade
  • Retardo no crescimento
  • Infecções nos dois primeiros anos de vida

Assim, esses fatores influenciam no desempenho cognitivo inadequado da criança. Além disso, a ausência de um acompanhamento adequado durante a gestação prejudica ou retarda a identificação de:

  • Más formações físicas e genéticas
  • Patologias cromossômicas
  • Alterações sistêmicas
  • Doenças cardíacas e até virais, como o HIV.

Já num outro momento, muitas mães precisam trabalhar e dependem de creches públicas para seus filhos. Isso não é nada fácil devido à grande demanda e pouca quantidade de vagas disponíveis. Tudo isso contribui para um início desigual que afeta toda a vida escolar do aluno, gerando dificuldades para:

  • Ler e interpretar
  • Desenvolver raciocínio lógico
  • Exercer a criatividade

Quando o aluno vivencia essas dificuldades geradas pela desigualdade no desenvolvimento infantil, problemas como evasão escolar e incapacidade de alcançar o ensino superior se tornam mais presentes na vida dos alunos mais desfavorecidos.

Assista o vídeo da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, onde Naércio Menezes Filho, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, fala sobre os efeitos da desigualdade no desenvolvimento infantil.

O que deve ser feito para diminuir essa desigualdade no desenvolvimento infantil?

Muitos desses problemas mencionados dependem de estímulos e investimentos governamentais para serem solucionados a longo prazo. Mas o desafio da escola é pensar formas de minimizar os efeitos destes problemas em sala de aula, fazendo sua parte para que futuramente os alunos possam perceber melhoras significativas.

Muitas vezes temos a ideia de que apenas o governo ou ações que demandam muito dinheiro que podem resolver problemas de desigualdade na sociedade. Mas pelo contrário, são pequenas ações que fazem toda a diferença.

Separamos 3 passos importantes para que a escola seja capaz de identificar desigualdades e contribuir para que este problema não comprometa completamente o desenvolvimento infantil!

1- Capacitação profissional dos professores

Professores capacitados e preparados para lidar com as desigualdades sociais na sala de aula fazem toda a diferença. Isso porque a formação profissional do professor precisa ser completa, visando a formação de indivíduos não só academicamente, mas socialmente. 

Por isso, os professores precisam receber treinamentos específicos para que eles possam identificar e saber ajudar crianças em situações de vulnerabilidade social. 

E como a escola pode promover essa capacitação profissional:

  • Trazendo sociólogos para palestras na escola
  • Promovendo cursos e workshops
  • Criando debates e rodas de conversas
  • Buscando pessoas com experiências diversas para trazer reflexões

2- Conscientização e preparação dos pais

A desigualdade não começa na escola, ela começa em casa. Pais de alunos com dificuldades devido à desigualdade social são muito afetados por problemas estruturais da sociedade. Por isso, não adianta apenas educar a criança e tentar minimizar estes problemas na escola, é necessário trazer as famílias para perto. Assim, a escola poderá promover uma conscientização que irá gerar benefícios enormes para o desenvolvimento infantil. 

A questão é que pessoas que sofrem com vulnerabilidade social estão diariamente em sobrevivência. Não sobra muito tempo para refletir a respeito da criação dos filhos ou promover ações que ajudem no desenvolvimento escolar da criança. 

Por isso, a escola pode buscar estratégias que promovam um vínculo familiar focado no desenvolvimento infantil: 

  • Convidando os pais para palestras com agentes sociais
  • Oferecendo aulas sobre cuidados básicos de higiene e alimentação na primeira infância
  • Criando um guia prático para o fácil entendimento das famílias a respeito do seu papel no desenvolvimento dos filhos
  • Oferecendo repertório para que os pais saibam como promover atividades educacionais em casa

3- Entre no universo da criança para educar

Se os alunos sofrem de desigualdades, é papel do professor saber identificar esses alunos e promover uma educação diferenciada, que atenda realmente as demandas deles. Isso é essencial para que o aluno não fique inerte, apenas acompanhando a aula, mas sim, participando dela. É necessário que o educador saia da bolha e se interesse pelo universo do aluno, ou seja, onde ele vive, quais são os costumes dele, o que prende sua atenção, etc. 

E como o professor pode se aprofundar no mundo do aluno?

  • Observando
  • Perguntando
  • Ouvindo
  • Sendo interessado
  • Criando uma relação de confiança

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